A UE é governo, e bem verdadeiro

A sentença da semana passada do TJUE devolvendo a deputados catalães os seus direitos é um exemplo de que a União Europeia constutui a retaguarda dos direitos individuais e coletivos frente à arbitrariedade e parcialidade dum poder judicial espanhol apoderado polas famílias adinheiradas para a involução e destruição dos consensos que deram origem à Constituição do passado século.

Para além disso, o terceiro informe -negativo- do Conselho de Europa sobre a política lingüística na Galiza, desta vez com explicita menção e responsabilidade da Xunta, mostra que não funcionou a pretendida solução salomónica que o partido no governo procurou entre um estado de opinião recentralizador na Espanha por uma parte e os interesses particulares e excluintes do poder cultural local pola outra.

É uma boa nova neste Natal que o poder não está por cima da justiça e da verdade, quanto menos como referência moral, e ainda que tarde em se manifestar. Aliás, com o conforto moral que a justiça proporciona, há outras consequências na ordem temporal e internacional que convém muito ter em conta.

1. A União Europeia acabará por ser uma união das pessoas e dos povos ou não será… para quem ficar fora. É dizer seguirá existindo, pois é mais que necessário o seu contributo histórico à civilização, mas os Estados que optam por se colocarem fora dela pola via dos factos ficam à sorte do populismo e ainda poderiam deixar fora de si regiões (nações) inteiras, como com certeza acontecerá com o Reino Unido a respeito da Escócia e talvez Gales.

2. O outro modelo vem da Irlanda e de Portugal. Os cidadãos e empresas «transfronteiriças» já nos sabemos mais protegidas por este estatus outorgado pola União que polas leis, decretos e «ajudas» que os Estados e os devanditos poderes vendem. A consequência é que a lealdade das pessoas à sua cultura não é um facto imposto pola partida oficial de nacemento, e poderia bem ser que os laços de solidariedade não tenham que estar diretamente dirigidos por quem ostenta o domínio político dum território.

3. Qualquer produto cultural será viável no entorno globalizado, não como apéndice dum poder estatal. Por caso, a língua aqui nascida sobreviveu polo facto de sermos periferia económica, não por qualquer auto-consciència dos falantes ou proteção do Estado. Portanto, no século XXI os netizens galegos que utilizam o português entre outros idiomas estão mais próximos ao Reino anterior à doma e castração castelhana e à cultura dos seus ancestrais do que os followers das instituições culturais oficiais criadas no século passado, se for que estas tiverem followers de verdade.

4. O futuro da Galiza, como o da Irlanda do Norte, vai no caminho de consolidar as suas pontes norte-sul, com a diferença de que, sendo a União Europeia o marco prioritário, ainda no nosso caso a língua originada neste território é extensa e útil mundialmente. Alguma homologação da ortografia galega com o resto desses países, e com a nossa História, como mantinham Valentim Paz Andrade e Carvalho Calero por contra sim teria um efeito pedagógico para nós mesmos.

Esta entrada fue publicada en Sin categoría. Guarda el enlace permanente.